Bioética Interseccional: Uma perspectiva Latino-Americana, Decolonial e Feminista |
Author : Adriana María Arpini |
Abstract | Full Text |
Abstract :Para uma ética social latino-americana, que assume a tensão dialética entre as condições de colonialidade e os processos de libertação, é possível incorporar problemas de reconhecimento e redistribuição como critérios bioéticos capazes de uma combinação proveitosa com os princípios de autonomia e justiça, para ampliar seus significados em termos de autonomia relacional e justiça social, possibilitando práticas transformadoras. No centro está a noção de interseccionalidade, cuja compreensão se tensiona entre dois sentidos de análise: da redistribuição ou do reconhecimento. Com esses elementos organizamos uma cartografia que nos permite avançar nas respostas sobre se a interseccionalidade é ou não funcional ao sistema naqueles espaços onde emergem dilemas bioéticos. Caso contrário: pode fornecer uma pista para avançar na transformação das desigualdades e elucidar que tipo de justiça social é reivindicado em vista da inclusão participativa? Além disso, que sombras essas formas de inclusão apresentam? Nas conclusões alertamos para não cairmos no uso meramente formalizado da noção de justiça social interseccional, apontamos a necessidade de redefinir a interseccionalidade e a autonomia relacional em termos políticos e sugerimos a sua operacionalização com base nas necessidades de espaços específicos de ação.
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Bioética Interseccional: Uma perspectiva Latino-Americana, Decolonial e Feminista |
Author : Adriana María Arpini |
Abstract | Full Text |
Abstract :Para uma ética social latino-americana, que assume a tensão dialética entre as condições de colonialidade e os processos de libertação, é possível incorporar problemas de reconhecimento e redistribuição como critérios bioéticos capazes de uma combinação proveitosa com os princípios de autonomia e justiça, para ampliar seus significados em termos de autonomia relacional e justiça social, possibilitando práticas transformadoras. No centro está a noção de interseccionalidade, cuja compreensão se tensiona entre dois sentidos de análise: da redistribuição ou do reconhecimento. Com esses elementos organizamos uma cartografia que nos permite avançar nas respostas sobre se a interseccionalidade é ou não funcional ao sistema naqueles espaços onde emergem dilemas bioéticos. Caso contrário: pode fornecer uma pista para avançar na transformação das desigualdades e elucidar que tipo de justiça social é reivindicado em vista da inclusão participativa? Além disso, que sombras essas formas de inclusão apresentam? Nas conclusões alertamos para não cairmos no uso meramente formalizado da noção de justiça social interseccional, apontamos a necessidade de redefinir a interseccionalidade e a autonomia relacional em termos políticos e sugerimos a sua operacionalização com base nas necessidades de espaços específicos de ação. |
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Desigualdades de cuidados e suas consequências na saúde mental |
Author : Aridnaj de Oliveira Lima |
Abstract | Full Text |
Abstract :A Pandemia do Covid-19 despertou muitas reflexões em pessoas de todas as partes do mundo com respeito à saúde mental. Uma das reflexões é sobre a desigualdade de cuidados. A qualidade de saúde mental que tem uma população está intimamente relacionada com sua qualidade de vida e isto inclui os aspectos econômicos, educacionais e familiares, entre outros. Pesquisas em todo o mundo têm mostrado que determinados setores da sociedade são mais vulneráveis aos problemas mentais que outros e isso se evidencia principalmente nas diferenças socioeconômicas, de gênero e étnicas. As mulheres, as pessoas que se identificam como LGBT+, crianças, adolescentes e principalmente as pessoas de classes sociais mais baixas, são as mais propensas a não poder desenvolver uma adequada qualidade de saúde mental. Isto se deve a distintos fatores políticos e culturais desenvolvidos ao longo dos anos. A inequidade em saúde mental se produz por injustiça social e poderia ser evitada. O presente artigo tem por objetivo compreender como estas desigualdades se produzem e repercutem diretamente na saúde mental, principalmente no período pós-pandemia que estamos vivendo na atualidade com os desafios que temos de agora em diante.
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Bioética Interseccional na América Latina: Agência Política, Autonomia Relacional e Cuidado com a Vida |
Author : María Graciela de Ortúzar; Cintia Rodríguez Garat |
Abstract | Full Text |
Abstract :O objetivo deste trabalho é desafiar as correntes tradicionais da bioética, que fundamentam ideais abstratos de imparcialidade, cidadania universal e autonomia absoluta; confrontá-los a partir do conhecimento situado e do reconhecimento da matriz de dominação interseccional vigente na América Latina. Procura investigar como transformar múltiplas desigualdades, repolitizando a justiça interseccional, a agência política em momentos críticos de progresso e colonização dos nossos bens comuns. Nossa proposta final é uma bioética crítica interseccional, representativa e participativa, que inclua de forma não subordinada as vozes e os conhecimentos dos outros, focada em nossas necessidades regionais, promovendo nossa autonomia relacional e o cuidado com a vida, em e para nossos territórios, comunidades e as gerações futuras.
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O acesso diferenciado à cidadania na bioética feminista: Uma revisão das críticas em torno dos ideais de imparcialidade e autonomia absoluta na bioética predominante |
Author : Jessica Marcela Kaufman |
Abstract | Full Text |
Abstract :A partir do final da década de 1960, as reivindicações feministas – e de outros movimentos sociais – por um acesso diferenciado à cidadania têm colocado em segundo plano as demandas tradicionais pela extensão de uma cidadania universal sem distinções. Este artigo tem como objetivo explorar, especificamente, as abordagens da bioética feminista em relação ao acesso diferenciado à cidadania nos campos da saúde e da ética médica. Através de uma revisão bibliográfica dessa literatura, este trabalho reconstrói essas reivindicações a partir das críticas formuladas pela bioética feminista contra dois ideais assumidos pela bioética predominante: o da imparcialidade e o da autonomia absoluta. A análise dessas abordagens revela a importância de promover, nos campos da saúde e da ética médica, uma política igualitária da diferença baseada na paridade participativa de agentes entendidos como concretos e inter-relacionados. |
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“À boa ciência”: Performações éticas em transplantes experimentais de células-tronco para a cura do HIV |
Author : Kris Herik de Oliveira |
Abstract | Full Text |
Abstract :Neste artigo, busco discutir, de um ponto de vista socioantropológico, os emaranhados éticos que conformam os primeiros cinco casos de “cura” ou “remissão de longo prazo” do HIV, alcançados por meio de transplantes experimentais de células-tronco. A partir da análise do conteúdo de documentos selecionados, situo tais práticas tecnobiocientíficas no contexto das “ciências que têm ética” e exploro as diferentes dimensões que definem o que é considerado “boa ciência” e “má ciência”. Observo que a ética da cura do HIV não se trata de um fenômeno dado, como podem fazer transparecer os códigos de ética e instituições regulatórias. É, antes disso, um processo em constante construção, que transborda a prática clínica e se faz permeado por disputas narrativas, políticas, afetivas e práticas. Nesse sentido, sugiro que pensar criticamente as “performações éticas” nesse e em outros contextos experimentais pode contribuir para práticas científicas mais democráticas.
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Banir estereótipos em pessoas com “deficiência” para sua inclusão social e cultural: A tripla discriminação de mulheres migrantes com diferentes habilidades na Argentina |
Author : Marina Sorgi |
Abstract | Full Text |
Abstract :Ao longo da história, houve diferentes concepções do que é entendido como saúde, doença e deficiência. Isso levou à construção de vários estereótipos e significados imaginários sob a ideia de "normalidade", que é delimitada pela ideologia dominante de sua época e é construída através de lutas de poder, dando origem a um "nós" justaposto com um "eles". Essas construções levaram à concepção de mulheres com deficiência como "anormais", doentes e portadoras de um problema que deve ser tratado por meio de um paradigma médico e medicalizante. O objetivo deste trabalho é analisar a tripla discriminação sofrida por mulheres migrantes com deficiência na Argentina e, por meio de uma reconstrução histórica, entender como a redefinição da alteridade foi produzida no caso dessas pessoas.
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Saúde e interculturalidade na Região de Aysén (chile), itinerários terapêuticos de mulheres migrantes |
Author : Brígida Baeza; Pastor Cea Merino |
Abstract | Full Text |
Abstract :Neste artigo propomos abordar os itinerários terapêuticos das mulheres migrantes centro-americanas e sul-americanas na região de Aysén, Chile, em particular nos concentramos no trabalho de campo realizado na cidade de Coyhaique e seus arredores. Utilizando metodologia etnográfica, recuperam-se entrevistas e observações que nos permitiram analisar as dificuldades vividas pelo grupo de mulheres migrantes. De acordo com os resultados da pesquisa, observamos que embora a regulamentação sanitária em nível nacional se baseie na ampliação de direitos e na perspectiva intercultural que contempla grupos nativos e migrantes, há uma série de restrições na assistência à saúde em Aysén. Neste contexto, são fornecidas contribuições que permitem visualizar elementos provenientes do pluralismo médico e que poderiam ser redefinidos por políticas de saúde com uma perspectiva intercultural para a região de Aysén.
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